
(Source: redberrywitch, via mysticmementos)

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Meditação - Antes e Agora
Como eu já disse aqui, em um post bem antigo, sou professora da educação infantil, professorxs que trabalham com crianças, principalmente crianças bem novas (3 e 4 anos), tem um papel importante de ensina-las como funciona a vida na nossa sociedade, como as relações são (ou pelo menos deveriam ser) construídas.
Assim, uma das coisas que quase todos os dias eu ensino (ou tento ensinar) aos meus alunos é: não adianta pedir desculpas depois de bater, o que deveria acontecer é pedir desculpas e não bater novamente. É um aprendizado longo, obviamente, várias vezes elas acabam machucando umas as outras novamente e novamente eu estou lá com o mesmo discurso.
E quando vejo adultos machucando as outras pessoas (como crescemos e aprendemos a controlar nossas emoções melhor, é óbvio que não estou falando de machucar fisicamente, apesar de isso ainda acontecer muitas vezes), pedindo desculpas e as machucando novamente, do mesmo jeito, me pergunto se o que eu falo para as crianças hoje terá algum efeito, porque alguém deve ter ensinado isso para os adultos que fazem a mesma coisa hoje. Mas não vou transformar esse texto em um desabafo de professora, não foi pra isso que eu comecei a escrever hoje.
É difícil ver como a palavra “desculpa” (e outras mais) é banalizada hoje. Aliás, ela não deveria nem ser usada, não tem sentido algum, as pessoas não deveriam nem pedir desculpa por algo que realmente fizeram e são culpadas. Vejam só: “desculpa” -> “des-culpa”, ou seja, “tire a minha culpa”. Fera, ninguém vai tirar a culpa de você, se você errou, a culpa realmente é sua, única e exclusivamente sua. Se você não a quer mais, a única solução é não cometer o mesmo erro novamente, então você não terá mais culpa e não se sentirá assim.
Isso me faz lembrar o quanto esperamos que a solução dos nossos problemas venham de fora, de outra pessoa, de alguma situação, até do fim do mundo já esperamos (21 de dezembro de 2012 passou e não aconteceu nada, né?). Isso tudo por “preguiça” de olhar para você mesmo, medo de assumir a responsabilidade sobre seus próprios atos que machucaram outra pessoa. Mas isso é outro assunto e desviaria esse texto do motivo que me levou a escrever hoje.
Todos sabemos que pedir desculpas não resolve a situação, não é o suficiente e não te dá o direito de prejudicar o outro novamente, só porque você tem ali aquela palavrinha para mostrar que você se arrependeu. E quando mesmo sem ter se arrependido você pede desculpas e ainda, de vez em quando, você a usa apenas para encerrar uma discussão, não é? Quem nunca?
“Mas, se eu não posso pedir desculpas, o que eu vou falar quando eu me arrepender de alguma coisa que fiz e verdadeiramente reconhecer meu erro?” A melhor coisa que você pode fazer é reconhecer o seu erro, assumir responsabilidade por ele e realmente se esforçar para não cometê-lo novamente. Ninguém está livre de errar, mas mesmo assim “desculpa” não deveria ser vista como a palavra mágica solucionadora de todos os problemas.
